{"id":4159,"date":"2011-06-15T10:04:00","date_gmt":"2011-06-15T10:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fifthinternational.org\/direita-ganha-em-portugal-trabalhadores-confrontam-medidas-de-austeridade\/"},"modified":"2011-06-15T10:04:00","modified_gmt":"2011-06-15T10:04:00","slug":"direita-ganha-em-portugal-trabalhadores-confrontam-medidas-de-austeridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fifthinternational.org\/en\/direita-ganha-em-portugal-trabalhadores-confrontam-medidas-de-austeridade\/","title":{"rendered":"A direita ganha em Portugal \u2013 trabalhadores confrontam medidas de austeridade"},"content":{"rendered":"<p><i>Joana Ramiro<\/i><\/p>\n<p>Como a vit\u00f3ria da direita nestas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, Joana Ramiro analisa como a social-democracia, o reformismo e uma esquerda parlamentarista deixou manchada a heran\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es legislativas em Portugal a 5 de Junho resultaram numa clara vit\u00f3ria da direita. O Partido Popular Democr\u00e1tico\/Partido Social-Democrata (PPD\/PSD) venceu com 39 por cento dos votos. N\u00e3o foi o suficiente para formar governo, mas o m\u00ednimo necess\u00e1rio para chegar aos democratas crist\u00e3os do Centro Democr\u00e1tico Social &#8211; Partido Popular (CDS-PP) e formar uma coliga\u00e7\u00e3o de direita. Os l\u00edderes de todos estes partidos promovem cortes dr\u00e1sticos para reduzir os gastos estatais, para melhorar o rating de cr\u00e9dito do pa\u00eds com o Banco Central Europeu.<\/p>\n<p>Mas a resposta da esquerda foi lament\u00e1vel. Num pa\u00eds em dificuldades, com d\u00edvidas, desemprego crescente em mais de 12 por cento e com um iminente \u201cbail-out\u201d por parte da UE-FMI-Banco Central Europeu (tr\u00f3ica) os maiores perdedores foram, dramaticamente, a esquerda portuguesa. O Partido Socialista (PS) incumbente perdeu por cerca de 700.000 votos, perdendo assim 23 dos seus deputados e a sua hegemonia em todos mas tr\u00eas distritos do pa\u00eds. Expulsos do Governo o PS \u00e9 agora o principal partido da oposi\u00e7\u00e3o. Quanto ao promissor Bloco de Esquerda (BE), com um voto de 288.776 viu perder metade de seus deputados, deixando a coliga\u00e7\u00e3o de pequenas tend\u00eancias de extrema-esquerda em crise. Em debate no Bloco est\u00e1 a quest\u00e3o do pagamento da d\u00edvida \u2013 a maioria dentro do partido concorda que deve ser paga, discordando com o plano e estrat\u00e9gia de reembolso \u2013 uma posi\u00e7\u00e3o terrivelmente reformista em face \u00e0 crise econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Dois partidos de esquerda, no entanto, recusam o pagamento da d\u00edvida para cm o Banco Central Europeu.  O Partido Comunista Portugu\u00eas, que domina os sindicatos, em usual coliga\u00e7\u00e3o com os Verdes (a Coliga\u00e7\u00e3o Unidade Democr\u00e1tica ou CDU). A coliga\u00e7\u00e3o reuniu 440.850 dos votos, um aumento modesto, resultando em mais um deputado no parlamento. Os mao\u00edstas do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses \/ Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP \/ MRPP) recolheram mais de 60 mil votos, sob o lema &#8222;estas elei\u00e7\u00f5es foram uma fraude&#8220; e exigindo a omiss\u00e3o do empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>O grande vencedor destas elei\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, foi a absten\u00e7\u00e3o que atingiu o recorde de 41 por cento.<\/p>\n<p>O fraco desempenho para a esquerda e o aumento do abstencionismo reflecte com precis\u00e3o o estado da consci\u00eancia pol\u00edtica em Portugal e s\u00e3o uma consequ\u00eancia do fracasso da esquerda revolucion\u00e1ria em resolver algumas das quest\u00f5es mais importantes na sociedade portuguesa. O sucesso do PPD \/PSD n\u00e3o reflecte mais do que a desilus\u00e3o total com a ret\u00f3rica reformista social-democrata utilizada pelo Partido Socialista. Perante a deteriora\u00e7\u00e3o exponencial da economia portuguesa o antigo primeiro-ministro Jos\u00e9 S\u00f3crates mostrou ter pouco ou nada de esquerda &#8222;socialista&#8220;, adoptando totalmente os ditames neoliberais de Merkl, Sarkozy e outras elites pol\u00edticas europeias. O apoio incondicional que deu \u00e0s medidas de austeridade, em detrimento dos servi\u00e7os p\u00fablicos portugueses f\u00ea-lo perder o voto trabalhador, enquanto, com \u00f3bvios salamaleques \u00e0 burguesia internacional, afastou a classe m\u00e9dia-baixa, nacionalista e regionalista. Quanto ao Bloco de Esquerda, divis\u00f5es internas \u00e0 parte, foi principalmente incapaz de abordar o prolet\u00e1rio sindicalizado, cuja lideran\u00e7a \u00e9 ainda fortemente controlada pela classe burocrata do Partido Comunista. Este facto deve-se principalmente \u00e0 crescente abordagem parlamentarista do Bloco de Esquerda, restringindo as suas redes de apoio \u00e0s massas urbanas, muitas vezes educadas, intelectuais de classe m\u00e9dia e aos membros das novas camadas informes da sociedade, como a de aqueles que trabalham em novas \u00e1reas de servi\u00e7o e m\u00e9dia (geralmente rec\u00e9m-licenciados em condi\u00e7\u00f5es de emprego prec\u00e1rias). No entanto, o Bloco de Esquerda parece ter perdido o jeito, arrecadando apenas 5,2 por cento do total dos votos.<\/p>\n<p>O descontentamento dos trabalhadores jovens altamente qualificados tem sido respondido com pol\u00edticas de esquerda obviamente insatisfat\u00f3rias, com ret\u00f3rica vaga sobre a agenda econ\u00f3mica e pol\u00edtica e com uma certa in\u00e9rcia por parte do Bloco de Esquerda. A juventude n\u00e3o est\u00e1 ap\u00e1tica, mas sim decepcionada e alienada da esquerda portuguesa, preferindo as ideologias de liberalismo ecl\u00e9tico e autonomistas. \u00c9 a sua ansiedade sobre o futuro sombrio do pa\u00eds, que a det\u00e9m sobre as promessas falaciosas neo-conservadoras de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. A falta de esperan\u00e7a levou a uma classe trabalhadora jovem desalentada, sem estrat\u00e9gia e, sobretudo, em falta de um representante, de um partido revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>As li\u00e7\u00f5es a aprender com as elei\u00e7\u00f5es portuguesas e com a perigosa tend\u00eancia europeia a um aumento na vota\u00e7\u00e3o em partidos nacionalistas e conservadores em tempos de crise n\u00e3o \u00e9 apenas o fasc\u00ednio com o conservadorismo por parte das pequenas classes m\u00e9dias, mas significativamente, o modo desajustado com que a extrema-esquerda at\u00e9 agora tem liderado a luta contra as medidas de austeridade neo-colonialistas capitalistas. O Bloco de Esquerda, precisa compreender que a social-democracia parlamentar reformista n\u00e3o \u00e9 melhor que o apoio ao FMI, que a promo\u00e7\u00e3o do mercado livre, que a reac\u00e7\u00e3o. Revolucion\u00e1rios em Portugal precisam de agir e sem companheiros na luta com os desempregados, os trabalhadores prec\u00e1rios, os jovens, a comunidade imigrante e toda a classe trabalhadora. Os sindicatos t\u00eam que lutar n\u00e3o apenas por um dia de greve geral, mas por dias consecutivos de greve contra as medidas de austeridade. \u00c9 preciso que haja unidade no movimento, n\u00e3o apenas como caminho para alcan\u00e7ar lugares no parlamento, mas para tomar as ruas \u2013 uma alternativa que muitos est\u00e3o j\u00e1 prontos a assumir.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Joana Ramiro Como a vit\u00f3ria da direita nestas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, Joana Ramiro analisa como a social-democracia, o reformismo e uma esquerda parlamentarista deixou manchada a heran\u00e7a da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. As elei\u00e7\u00f5es legislativas em Portugal a 5 de Junho resultaram numa clara vit\u00f3ria da direita. 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